jump to navigation

Adeus Novembro 16, 2007

Posted by Vasco in Poesia.
Tags: ,
4 comments

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

Anúncios

Japoneses inventam estrada capaz de tocar música Novembro 16, 2007

Posted by Vasco in Curiosidades.
add a comment

Tornar o barulho da estrada numa doce melodia foi o objectivo de alguns investigadores japoneses, depois de descobrirem que as ranhuras do pavimento das estradas ressoavam dentro dos carros como notas musicais, como escreve o “Telegraph” na sua edição de hoje.

Depois de medirem a distância entre as ranhuras e a sua profundidade, um grupo do Hokkaido Insutrial Research Institute foi capaz de transmitir o som através das rodas do veículo para dentro do mesmo.

Algumas estradas de três zonas a norte do Japão foram cortadas com distâncias precisas. Além disso, foram pintadas algumas notas musicais gigantes, uma forma de alertar os condutores para a estranha experiência que estão prestes a viver.

A descoberta deste fenómeno aconteceu quando um condutor de uma máquina escavadora deixou cair a pá e, mais tarde, reconheceu notas musicais quando passou por cima das mesmas marcas que tinha feito. Os investigadores agarraram nesta ideia e puseram-na em prática nalgumas estradas para testar o seu potencial.

Contudo, a opinião daqueles que experimentaram a “estrada da música” é divergente. Alguns defendem que o som emitido é mais um ruído do que uma música, enquanto outros dizem que até é possível cantar.

Para se ouvir a música da melhor forma deve-se circular a 45km/h, já que mais depressa ou mais devagar o som é afectado. Nas zonas em que o limite máximo de velocidade permitido por lei é de 50km/h, os especialistas acreditam que esta nova invenção incentivará os condutores a respeitar as indicações, ou mesmo a andar mais devagar.

Público