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O que há em mim é sobretudo cansaço Janeiro 13, 2008

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O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas –
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada –
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço…

Álvaro de Campos

Adeus Novembro 16, 2007

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Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes
E eu acreditava.
Acreditava.
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

Confession Setembro 14, 2007

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Une fois, une seule, aimable et douce femme,
À mon bras votre bras poli
S’appuya (sur le fond ténébreux de mon âme
Ce souvenir n’est point pâli);

II était tard; ainsi qu’une médaille neuve
La pleine lune s’étalait,
Et la solennité de la nuit, comme un fleuve,
Sur Paris dormant ruisselait.

Et le long des maisons, sous les portes cochères,
Des chats passaient furtivement
L’oreille au guet, ou bien, comme des ombres chères,
Nous accompagnaient lentement.

Tout à coup, au milieu de l’intimité libre
Eclose à la pâle clarté
De vous, riche et sonore instrument où ne vibre
Que la radieuse gaieté,

De vous, claire et joyeuse ainsi qu’une fanfare
Dans le matin étincelant
Une note plaintive, une note bizarre
S’échappa, tout en chancelant

Comme une enfant chétive, horrible, sombre, immonde,
Dont sa famille rougirait,
Et qu’elle aurait longtemps, pour la cacher au monde,
Dans un caveau mise au secret.

Pauvre ange, elle chantait, votre note criarde:
«Que rien ici-bas n’est certain,
Et que toujours, avec quelque soin qu’il se farde,
Se trahit l’égoïsme humain;

Que c’est un dur métier que d’être belle femme,
Et que c’est le travail banal
De la danseuse folle et froide qui se pâme
Dans son sourire machinal;

Que bâtir sur les coeurs est une chose sotte;
Que tout craque, amour et beauté,
Jusqu’à ce que l’Oubli les jette dans sa hotte
Pour les rendre à l’Eternité!»

J’ai souvent évoqué cette lune enchantée,
Ce silence et cette langueur,
Et cette confidence horrible chuchotée
Au confessionnal du coeur.

Charles Baudelaire

I carry your heart with me Setembro 6, 2007

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i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that’s keeping the stars apart

i carry your heart(i carry it in my heart)

e.e.cummings

Quase um poema de amor Agosto 12, 2007

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Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.

Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
— Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor

Miguel Torga

Confusão Agosto 3, 2007

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Fica-me um perfume,
A tua presença,
De cada vez que eu saio de estar contigo…
Perfume que não é de cheiro
Mas que me dá o mesmo prazer

Que me ocupa
Me inspira
Amarra
Sustenta

Ameno à mente chega
E fica;

De que é feito este torpor?
Que ferrão se me crava, da tua presença,
Que vai mais fundo no meu ser

Que o álcool
A religião
O sexo
A droga
A paixão
A beleza?

Sei apenas que me revira todo,
Me faz ser,
Sem permitir qualquer retorno
Àquilo que eu era sem ser!
Eu que, sem nos tocarmos sequer
Sinto ser, na união

Que me perco
Me alargo
E me encontro de novo

Enquanto anseio que de novo, por acaso,
Tudo volte a ruir por te rever…

Ó, minha santa alma,
Videira da mais nobre seiva,
Que eu não deixo ver
Que eu já vivo esse teu perfume,
Para viveres no mesmo mistério
Enquanto me fazes viver nele

Em segredo
Distante
E íntimo

Até que, em querendo, o Algo nos confunda

(poema roubado aqui)

Porta da traição Abril 9, 2007

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Quero encontrar-me com vocês
no desregrado convívio,
na balbúrdia dos cafés.
Nos altos bancos dos bares,
nos transportes colectivos,
nos recintos populares.
Nos corredores dos cinemas,
nos inóspitos lugares
onde se mascam problemas.
Juventude, juventude!
Fogo de santelmo vivo
num mastaréu de virtude.
Braços meus, cálices brancos,
aguardam corolas rubras
no declive dos barrancos.
Vinde, vinde, ó flor mimosa,
ó cavaleiro Galaaz,
que em dentes cerrados traz
a promessa de uma rosa.
Vinde, ó fugaz claridade,
antes que a Vida vos tome
e transforme a vossa fome
em “coisas da mocidade”.

António Gedeão

Poetas portugueses lidos no Metro e autocarros de Washington Abril 7, 2007

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Poemas de Camões, Sophia de Mello Breyner Andresen, Manuel Alegre, Fernando Pessoa e Vitorino Nemésio vão ser lidos em Maio em Washington, no âmbito da iniciativa European Poetry in Motion promovida pela União Europeia (UE).

Além dos portugueses, serão lidos também, no mesmo período, poemas de autores dos restantes 26 estados membros da União.

A iniciativa, organizada pela representação da Comissão Europeia na capital norte-americana com a colaboração dos 27 estados, enquadra-se nas comemorações do cinquentenário dos Tratados de Roma, que fundaram a UE.

Ao longo de Maio serão lidos cinco poemas de cada país na língua original e numa tradução inglesa no Metropolitano e nos autocarros de Washington.

Público

António Ramos Rosa vence Grande Prémio de Poesia Novembro 30, 2006

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O poeta António Ramos Rosa venceu a edição 2006 do Grande Prémio de Poesia APE/CTT com “Génese”, uma obra de poesia já anteriormente distinguida, em Portugal, com dois outros importantes galardões literários.

Esta terceira distinção, hoje anunciada pela Associação Portuguesa de Escritores, que a instituiu, foi atribuída a “Génese” por unanimidade, por um júri constituído por Ana Gabriela Macedo, Ana Paula Arnaut e Manuel Gusmão.

O prémio, no valor de 5.000 euros, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores, é integralmente patrocinado pelos CTT- Correios de Portugal.[PortugalDiário]

Escrever é procurar corresponder
Ainda que não se saiba a quê ou se esse quê existe
A nossa liberdade nasce de uma incerteza radical
E a sua metamorfose é a invenção de um espaço
De correspondências que visam uma esfera inviolável

Mário Cesariny (1923-2006) Novembro 26, 2006

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O homem em eclipse

Ora foi que certo dia
o homem eclipsou-se
a data digam a data
a datazinha faz favor
qual data foi por decreto
que a gente se eclipsou
foi só manobra espertice
um dois três e pronto é noite
que nem a lua apareça
seja de que lado for
Uns seguraram-se logo
eram espertos bem se viu
outros cairam ao mar
com cabeça pernas e tudo
quanto a mim perdi a calma
fiquei desaparafusado
tradição cultura estilo
certeza amigos fatiota
tudo fora do seu sítio
um desaparafuso terrível

 

Segurem-me camaradas
sinto pernas a boiar
cheiro fantasmas enxofre
estou aqui mas posso voar
o parafuso da língua
vai partido vai saltar
agarrem-me! agarra!
pronto
pari o mais leve que o ar

SONETO DO CATIVO Novembro 24, 2006

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Se é sem dúvida Amor esta explosão
de tantas sensações contraditórias;
a sórdida mistura das memórias
tão longe da verdade e da invenção;

o espelho deformante; a profusão
de frases insensatas, incensórias;
a cúmplice partilha nas histórias
do que outros dirão ou não dirão;

se é sem dúvida Amor a cobardia
de buscar nos lençóis a mais sombria
razão de encantamento e de desprezo;

não há dúvida, Amor, que te não fujo
e que, por ti, tão cego, surdo e sujo,
tenho vivido eternamente preso!

David Mourão Ferreira, Os Quatro Cantos do Tempo

Internet: China encerra blogs de poetisa tibetana proibida Agosto 2, 2006

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poetisa tibetana Woeser, cuja obra está censurada na China, foram repentinamente encerrados na passada sexta-feira, informou hoje a organização Repórteres sem fronteiras, RSF.Num comunicado, o grupo expressa indignação por este acto censório e reclama a reabertura dos blogs, lembrando que a poesia de Woeser «está proibida na China» e «as suas páginas pessoais (na Internet) são o único meio que tem de expressar-se».

Acusando as autoridades chinesas de quererem reduzir a cultura tibetana a «simples folclore turístico», a RSF chama a atenção para o facto de Pequim estar a aplicar uma controlo informativo cada vez mais férreo.

Há dias, Pequim ordenou o encerramento do portal Dijing-democracy.net, do marido da poetisa, o escritor chinês Wang Lixiong, e bem assim o do Century China, muito popular nos círculos intelectuais do país.

«Uma vez mais pedimos às autoridades que respeitem a liberdade de expressão, um direito garantido pela Constituição», diz a RSF.

A poetisa, conhecida também como Oser e Wei Se, em chinês, tinha dois blogs – http://oser.tibelcult.net e http://blog.daiqi.com/weise-, através dos quais divulgava poemas da sua autoria, ensaios sobre a cultura tibetana e artigos do marido.

Segundo responsáveis das páginas, a decisão governamental fundamentou-se nos temas tratados, que incluíam comentários sobre o problema da SIDA no Tibete, o impacto que terá sobre o povo tibetano a recente inauguração do comboio Pequim-Lhasa e uma mensagem de parabéns ao Dalai Lama pelo seu aniversário.

Woeser é uma das poucas escritoras tibetanas que utilizam o mandarim como veículo de expressão. Segundo a RSF, a maioria dos visitantes das suas páginas eram estudantes apostados em não perder a sua identidade cultural.

O seu livro «Notas sobre o Tibete» foi censurado em 2004, por falar em termos positivos do Dalai Lama – ousadia que lhe valeu o despedimento e ter de escrever uma carta de auto-censura a reconhecer os seus «erros políticos».

Diário Digital

Sonhei, confuso, e o sono foi disperso Junho 10, 2006

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Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando dispertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são

Obscura luz paira onde estou converso
A esta realidade da ilusão
Se fecho os olhos, sou de novo imerso
Naquelas sombras que há na escuridão.

Escuro, escuro, tudo, em sonho ou vida,
É a mesma mistura de entre-seres
Ou na noite, ou ao dia transferida.

Nada é real, nada em seus vãos moveres
Pertence a uma forma definida,
Rastro visto de coisa só ouvida.

Fernando Pessoa

José Agostinho Baptista vence Grande Prémio Poesia APE/CTT Maio 23, 2006

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O livro «Esta voz é quase o vento» de José Agostinho Baptista é o vencedor do Grande Prémio de Poesia Associação Portuguesa de Escritores/CTT, foi hoje divulgado. O prémio, no valor de cinco mil euros, foi atribuído por maioria, esclarece a associação em comunicado. O júri foi constituído por António Osório, José Viale Moutinho, Maria Andresen de Sousa, Nuno Júdice e Paula Cristina Costa. José Agostinho Baptista começou a publicar em 1976, com «Deste lado onde», sendo a obra galardoada o seu mais recente título.[Diário Digital

Melodia

Este é o orvalho dos teus olhos.
Esta é a rosa dos teus vales.
O silêncio dos olhos está no silêncio das rosas.
Tu estás no meio,
entre a dor e o espanto da treva.
Arrancas-te ao mundo e és a perfumada
distância do mundo.
Chego sem saber, à beira dos séculos.
Despenho-me nos teus lagos quando para ti
canta o cisne mais triste.
O pólen esvoaça no meu peito, junto às tuas
nuvens.
Esta é a canção do teu amor.
Esta é a voz onde vive a tua canção.
As tuas lágrimas passam pela minha terra
a caminho do mar.

José Agostinho Baptista

First Love Fevereiro 14, 2006

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I ne’er was struck before that hour
With love so sudden and so sweet.
Her face it bloomed like a sweet flower
And stole my heart away complete. 

My face turned pale, a deadly pale.
My legs refused to walk away,
And when she looked what could I ail
My life and all seemed turned to clay.

And then my blood rushed to my face
And took my eyesight quite away.
The trees and bushes round the place
Seemed midnight at noonday.

I could not see a single thing,
Words from my eyes did start.
They spoke as chords do from the string,
And blood burnt round my heart.

Are flowers the winter’s choice
Is love’s bed always snow
She seemed to hear my silent voice
Not love appeals to know.

I never saw so sweet a face
As that I stood before.
My heart has left its dwelling place
And can return no more.

John Clare

Sossega, coração! Não desesperes! Fevereiro 10, 2006

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Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa

When I have Fears that I may Cease to Be Janeiro 29, 2006

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When I have fears that I may cease to be
Before my pen has glean’d my teeming brain,
Before high-piled books, in charactery,
Hold like rich garners the full ripen’d grain;
When I behold, upon the night’s starr’d face,
Huge cloudy symbols of a high romance,
And think that I may never live to trace
Their shadows, with the magic hand of chance;
And when I feel, fair creature of an hour,
That I shall never look upon thee more,
Never have relish in the faery power
Of unreflecting love;–then on the shore
Of the wide world I stand alone, and think
Till love and fame to nothingness do sink. 

John Keats

O amor é o amor Dezembro 13, 2005

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O amor é o amor – e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos – somos um? somos dois? –
espírito e calor!
O amor é o amor – e depois?!

Alexandre O´Neill, Poesias Completas, 1951/1981

Ao longe, ao luar Setembro 1, 2005

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Ao longe, ao luar,

No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela ?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça ?
Que amor não se explica ?
É a vela que passa
Na noite que fica.

Fernando Pessoa

PERFILADOS DE MEDO Julho 15, 2005

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Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido…

ALEXANDRE O’NEILL